Deuses

Embora estejamos falando de deuses como se já soubéssemos o que são, resta a pergunta: o que são deuses?

É fato que podemos dizer que deuses são aqueles que concedem milagres a seus servos, que lhes cobram devoção e sacrifícios. Mas são os seus deuses os mesmos que os nossos? Seriam os mesmos com nomes trocados ou visões diferentes? Ou seriam nossos demônios e diabos seus deuses? — Jhorred Fargrave, em sermão sobre divindades

Na visão dos sábios ocidentais da cidade-templo de Khardrazi, de Asgariard, existe um panteão comum de deuses que é reinterpretado por cada povo. Essa apresentação dos deuses tenta traçar as similaridades ou versões entre panteões, conforme a filosofia khardrazi enxerga os deuses.

Deuses dos Anões

Durbal Martelo Divino É o criador da raça anã, pelo mito da forja na bigorna, onde as almas dos anões foram reforjadas preparadas para a guerra com os goblins. Portanto, inimigo de Warwock, o Traiçoeiro.

Drasz, o Severo Os anões dizem que Drasz é enchergado pelos humanos como Vahlar, os humanos dizem que os anões estão muito errados em suas convicções e que Vahlar não seria um baixinho invocado. Isso já rendeu algumas confusões em tavernas e masmorras. Para os anões, Drasz traz os ensinamentos da tenacidade perante os desafios da vida, a vitória sobre as adversidades. Parente de Durbal Martelo Divino, carrega em si a dureza do aço.

Deuses Goblinóides

Warwock Criador dos goblins. Possui uma rixa com Durbal dos anões, sendo essas duas raças mitologicamente inimigas. Entre os anões, o Traiçoeiro.

Deuses Élficos

Talena é como Khallyshin é conhecida entre os elfos. Para os elfos, Talena representa não somente a Profecia como o Destino. A visão caótica dos elfos enxerga Talena como a força do destino mutável, fornecendo visões do futuro a suas sacerdotisas que podem acontecer ou não, mostrando o provável rumo das ações. Pelas profecias nem sempre se concretizarem, porque algum fato impediu que acontecesse, não são todos que dão ouvidos às sacerdotisas de Talena, o que pode ter graves consequências. A mais poderosa das sacerdotisas é conhecida como Oráculo de Talena. Seu símbolo é o Olho do Destino.

Deuses dos Reinos Ocidentais

Abaddon, o Senhor do Inferno. As almas julgadas indignas nos Portões de Omnos seguem para o Inferno, onde reina Abaddon. É o terror puro, enorme, com 6 metros de altura, chifres e asas negras e usa sua espada de fogo para ceifar as almas que o desagradam. Diz-se que todas as maquinações do mundo têm o seu toque. Seus seguidores são de tendência Ordeira ou Neutra.

Hiroka, a Fértil. Divindade que rege o sexo e fertilidade de homens e mulheres. Seus sacerdotes são peritos em alquimia para criar “poções do amor” e unguentos de fertilidade. Prostíbulos geralmente mantém um local dedicado à adoração de Hiroka. Seus seguidores podem ser de qualquer tendência. Hiroka é representada como uma pessoa andrógina, assumindo características masculinas ou femininas dependendo do seguidor.

Khallyshin, Senhora das Profecias, mãe de Krisia. É a divindade que rege as profecias e augúrios e o inevitável destino da morte para todos. É representada como uma mulher em mantos negros, com cabelos esvoaçantes e rosto magro, com olhos fundos. Seus clérigos geralmente cuidam de cemitérios e prestam consolação a famílias desamparadas pela morte. Vestem tons escuros de cinza ou preto, com detalhes em prata e pinturas faciais. Seus seguidores são Ordeiros ou Neutros e abominam a morte-vida. “A morte é inevitável.”. Urdra entre os nortistas.

Krisia, Senhora do Destino e da Oportunidade, filha de Khallyshin. Em sua fé, há vertentes Ordeiras, que acreditam que tudo está definido por Krisia, e vertentes Caóticas, que dizem que cada momento é uma oportunidade dada por Krisia, há de se decidir abraçá-la ou não, sendo o destino feito a cada momento. É representada como uma jovem mulher de pedra (vertente Ordeira, o destino imutável) ou como uma jovem mulher de barro (vertente Caótica, o destino mutante). Bellandri entre os nortistas.

Omnos, A Sombra No Canto do Olho, O Juiz da Alma. Raramente evocado e seus templos não são bem vistos. Omnos é o deus dos mortos e do medo, principalmente do medo da morte. Tem uma relação de amor e ódio com Khallyshin, que guia os mortais para atravessar os Portões de Omnos, mas espera que ali permaneçam. Omnos, por sua vez, permite que alguns retornem à morte-vida. A outros, tenta roubar o destino visto por Khallyshin e Krisia. A vida do mortal é julgada nos Portões de Omnos. Se considerado indigno, ao atravessar os Portões será jogado no Inferno de Abaddon. Seus seguidores costumam ser necromantes, assassinos e todos aqueles que procuram a morte, comumente de tendência Caótica. Suas cores são o verde escuro, o preto e o marrom. Sua representação é de um ser usando manto e capuz negros, muitas vezes sem mostrar a face. Um ritual comum é deixar moedas de prata sobre os olhos dos mortos como pagamento a Omnos para que o morto não volte.

Vahlar, O Absoluto. É um deus impiedoso que promete um reinado de paz através da obliteração de todos os seus adversários. É o deus da vitória absoluta, das contendas finalizadas, da revanche. É representado como um homem forte e nu segurando uma cabeça decepada. Seus clérigos costumam vestir vermelho e preto e carregar alguma lembrança do mais poderoso adversário que aniquilaram. Seus seguidores variam entre Caóticos e Neutros.

Zohan, O Trapaceiro, O Pés-Ligeiros. Cultuado por ladrões e por aqueles que querem pregar peças nos outros, por trapaceiros. O mito de Zohan diz que ele recebeu parte de seus poderes ao se transformar em um rato e deitar-se com Krisia sem que esta percebesse, roubando para si o poder caótico de alterar o destino. Assim, sua representação costuma ser uma adaga envolta em um pano e moedas de prata.

Deuses dos Reinos Orientais

Apollyon, o Destruidor. É a visão oriental de Abaddon. Entre o povo de Shahiri, um homem de pele vermelha com uma cimitarra flamejante e asas de couro, com olhos de puro mal que roubam a vontade da alma mortal. Em certos dias, é Apollyon que impede que o sol banhe o mundo com sua luz, deixando os mortais sob as trevas e permitindo que criaturas de puro mal vaguem pelo mundo.

Bulangus. Representado como um touro dourado ou um minotauro segurando um pesado machado, é o deus da fertilidade e do aspecto masculino da força. Possui alguns templos erigidos em sua homenagem nos Reinos Ocidentais. Seus rituais invocam a potencialização da fertilidade e da vida.

Caellor, Deusa da Escuridão. Uma deusa banida para uma prisão dimensional há muitos anos. Seu culto era forte entre os sibilantes, uma raça de homens-serpente que havia se espalhado pelo continente, praticamente existindo em todos os pontos ao sul das montanhas Udrar Kahal, com vários templos ocultos, entre eles a Torre Invertida na Floresta Negra de Belars e o Templo Oculto de Caellor nos Ermos Orientais. Com o tempo, os sibilantes foram expulsos para seus refúgios secretos e Caellor aprisionada. Sua recente e malograda soltura da prisão dimensional causou-lhe a morte.

Deuses dos Reinos Setentrionais

A maioria dos deuses ocidentais são reinterpretações dos deuses setentrionais, com algumas diferenças mais sutis, outras mais aparentes.

Bellandri é a versão nortista de Krisia. Em seu tear, tece o destino dos homens. O último fio da tapeçaria é cortado por Urdra, selando assim seu destino.

Urdra é a versão nórdica de Khallyshin. Urdra corta o último fio da tapeçaria da vida dos mortais e o guia para os Portões de Omnos, onde seus feitos são lidos da tapeçaria para ser julgado por Omnos.

Omnos é também assim chamado pelos nortistas. Algumas vezes, Omnos rouba o destino dos mortais, cortando o fio antes que Bellandri termine a tapeçaria e Urdra possa dar o corte devidamente. Inevitavelmente, todas as almas mortais passam pelo seu julgamento após terem sua tapeçaria erguida em frente aos Portões de Omnos. Urdra apresenta os feitos do mortal tecidos por Bellandri. Omnos o julga merecedor ou indigno da pós-vida. O indigno é enviado para a Caverna de Helgras, onde será castigado até que Omnos decida roubá-lo para a morte-vida, ou por toda a eternidade.

Tarjallar, a Bruxa do Gelo, Mãe do Norte. Pouco conhecida nos Reinos Ocidentais, é a protetora ou carrasca dos navegantes e exploradores. Aqueles que navegam nos mares do Norte pedem sua proteção e saqueiam em seu nome. Quando um navio não volta, Tarjallar reclamou a Bellandri e Urdra suas almas. Como uma mulher alta, de rosto severo, usando um vestido feito com peles e penas, também é representada como um dragão de gelo ou uma hidra marinha de muitas cabeças. Pronuncia-se Tarialar.

Valgar é como Vahlar é conhecido entre os nórdicos. É representado por um guerreiro com barba cheia, usando um elmo chifrudo e portando uma machado de lâmina dupla, que empunha com apenas uma mão. Impiedoso e implacável nos combates, para os nórdicos Valgar é a vitória sobre as adversidades e fraquejar é desonrá-lo. Os rituais de sacrifícios são similares ao de sua versão Ocidental, Vahlar.

Helgras é a versão nórdica de Abaddon. Um gigante de fogo com asas negras e uma espada que pinga fogo e corta montanhas como manteiga. De sua boca sai a corrupção que toma o coração dos homens e os força a cometer atos vis contra a família. Os considerados indignos por Omnos no julgamento da tapeçaria da vida são enviados para sofrer na Caverna de Helgras.

Deuses Antigos

Os Deuses Antigos eram criaturas de enorme poder que disputaram esse mundo. Em uma guerra antiga, em tempos esquecidos da história, foram os perdedores e exilados para uma prisão planar. Alguns, entretanto, permaneceram. Muitos conseguem entrar em contato com seus cultistas através de mensagens em sonhos.

Uma coisa, pelo menos, é certa: entrar em contato com os Deuses Antigos é arriscar a própria sanidade e a realidade em que vivemos.

Cthulhu Considerado o arauto dos Deuses Antigos, repousa em seu sono-morte na cidade de R’lyeh, nas profundezas do oceano. É representado como um ser humanóide gordo, com asas coriáceas e uma cabeça de polvo. Dizem que sua forma real rouba a sanidade daqueles que o vêem.

Hastor é representado como uma figura ciclópica com um pano amarelado, ou como um homem envolto em um manto amarelo. Possui diversos tentáculos em todas as formas. Também conhecido como O Rei Amarelo.

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Old Dragon - Galerinha bruno_baere bruno_baere